quarta-feira, 26 de outubro de 2016

be or not to be

Na verdade, estar ou não estar não faz grande diferença agora.
Sinto-me sozinha, triste, desamparada. Não há grandes palavras para exprimir o que vai "cá dentro".
Fotografia: Tatiana Fidalgo (2015)
Existem momentos na nossa vida que tudo à nossa volta está nítido menos nós próprios. Momentos em que, por muito que tentemos, não nos conseguimos encontrar. Perdemo-nos de nós mesmos e não conseguimos atingir a nossa alma, porque ela anda a divagar por mundos paralelos.
Mundos de saudades, de perda e de tristeza.
São pensamentos que não são, necessariamente, omnipresentes; mas os sentimentos associados estão. Agarrados como lapas ao nosso subconsciente - não descolam e não nos deixam viver os dias como sempre os vivemos. Fazem com que não falemos da mesma forma; fazem com que o nosso sorriso e vivacidade não sejam os mesmos; tiram-nos o brilho dos olhos. O único brilho que passa a estar presente nos nossos espelhos da alma é o de lágrimas prestes a brotar.
Estes sentimentos sugam-nos para uma espiral de autocomiseração que não pretendemos, assim tanto, partilhar. Só queremos ficar sossegados no nosso canto, no nosso silêncio, e que nos deixem fazer as (poucas) coisas que nos vão tirando dessa espiral e que nos vão distraindo um pouco. Sentimos necessidade de fazer coisas que nos tirem desta espiral e que nos afastem deste mundo desfocado que somos nós próprios.

Nestes dias, ando por aqui. Está quase a fazer um ano, avô. Tenho saudades tuas...