domingo, 1 de março de 2015

dark days

Existem dias que nasceram para ser cinzentos.
Afinal de contas, qual é o momento concreto que marca o início de um novo dia? São as doze badaladas, o nascer do sol ou o momento em que acordamos? Mas será que o momento em que acordamos é aquele em que abrimos os olhos de manhã após uma noite de sono ou o momento em que passamos a observar a vida com olhos de ver?
Fotografia: Mara Alves (2015)




E a morte?
No que consiste a morte afinal? Será o "estar vivo por dentro" ou englobará estar plenamente vivo?
Sinceramente? Não me parece que respirar seja suficiente para viver.
"Viver" é conseguir fazer as pequenas coisas do dia-a-dia autonomamente, conseguir brincar, correr e saltar enquanto criança, e conseguir ir ao café, jogar às cartas com os amigos e fazer tricot com as vizinhas quando mais velho.
Para se viver verdadeiramente é necessário que se consigam retirar os pequenos prazeres do dia, metê-los numa caixinha, remexer neles e repeti-los ou relembrá-los quando nos apetecer.

As caixas guardam tantas coisas...
Eu, por exemplo, sou cem por cento apologista das caixas de recordações. Não há nada mais gratificante do que saber que - quando nos sentimos nostálgicos - temos um sítio onde ir "recordar recordações".
"Aquele pacote de açúcar que utilizei quando conheci a minha melhor amiga.
"Aquela caneta que eu utilizava em todos os testes porque acreditava que me traria sorte.
"Aquela carta...", "Aquela flor..."
E cada objeto, cada símbolo, cada "coisa" tem um significado e remete-nos para uma memória, remete-nos para um local, para uma data, para uma pessoa.

Por isso é que vos apresento aqui o meu "Faseamentos". Porque representa momentos que de alguma forma me marcam. Representa memórias mesmo que abstratas. Apresenta-me a mim.