quarta-feira, 26 de outubro de 2016

be or not to be

Na verdade, estar ou não estar não faz grande diferença agora.
Sinto-me sozinha, triste, desamparada. Não há grandes palavras para exprimir o que vai "cá dentro".
Fotografia: Tatiana Fidalgo (2015)
Existem momentos na nossa vida que tudo à nossa volta está nítido menos nós próprios. Momentos em que, por muito que tentemos, não nos conseguimos encontrar. Perdemo-nos de nós mesmos e não conseguimos atingir a nossa alma, porque ela anda a divagar por mundos paralelos.
Mundos de saudades, de perda e de tristeza.
São pensamentos que não são, necessariamente, omnipresentes; mas os sentimentos associados estão. Agarrados como lapas ao nosso subconsciente - não descolam e não nos deixam viver os dias como sempre os vivemos. Fazem com que não falemos da mesma forma; fazem com que o nosso sorriso e vivacidade não sejam os mesmos; tiram-nos o brilho dos olhos. O único brilho que passa a estar presente nos nossos espelhos da alma é o de lágrimas prestes a brotar.
Estes sentimentos sugam-nos para uma espiral de autocomiseração que não pretendemos, assim tanto, partilhar. Só queremos ficar sossegados no nosso canto, no nosso silêncio, e que nos deixem fazer as (poucas) coisas que nos vão tirando dessa espiral e que nos vão distraindo um pouco. Sentimos necessidade de fazer coisas que nos tirem desta espiral e que nos afastem deste mundo desfocado que somos nós próprios.

Nestes dias, ando por aqui. Está quase a fazer um ano, avô. Tenho saudades tuas...

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

2015 is falling asleep

Dois mil e quinze está a adormecer e dois mil e dezasseis a acordar...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

don't say that much

«I think a lot but I don't say much.»
Hiisoka
Fotografia: Tatiana Fidalgo (2015)
O vazio preenche-me a alma cheia - quando me fixo num assunto, dou por mim a olhar para ele. Tenho saudades.O ano está a acabar e com ele, sim, vêm as recordações... o natal não se revelou tão difícil como esperava (também, o meu avô paterno não fazia parte da tradição desta época do ano devido a opções religiosas por parte desse lado da família), mas o fim de 2015 já começa a fazer das suas...
Atrever-me-ia a dizer que foi um ano mediano.
Foi bom porque atingi a minha segunda década de vida (agora posso parar por aqui, já está bom), comecei a tirar a carta de condução, porque concluí o segundo ano da minha licenciatura e iniciou-se o último ano da mesma. Tive a oportunidade de estagiar seis meses na área que queria.Cheguei a um equilíbrio saudável nas minhas relações.
Foi menos bom porque não tive férias de verão (por causa do estágio, mas valeu a pena).
Foi péssimo porque tive de dizer adeus ao meu avô paterno no dia de anos do meu irmão...

As últimas páginas do livro "dois mil e quinze" estão prestes a ser preenchidas, e com o fim deste livro vem um novo com 366 páginas em branco prontinho a ser vivido e sentido.


E que o pior de dois mil e dezasseis seja o melhor de dois mil e quinze.

sábado, 31 de outubro de 2015

not fair

«Todas as decepções são secundárias. O único mal irreparável é o desaparecimento físico de alguém que amamos.»
Romain Rolland

Fui neta única até à, precisamente, nove anos atrás. Alguns meses depois, ficaste como estiveste até hoje, avô. Ainda me lembro do quão feliz ficaste quando soubeste que ias ter mais um neto, um rapazinho - para poderes jogar à bola com ele. Depois, ficaste ainda mais contente quando soubeste que afinal ias ter dois netos, dois rapazinhos - para poderes jogar à bola com eles -, porque uma das tuas filhas ia finalmente ser, também, mamã. Nove anos depois, tu dizes adeus. Nove anos depois de teres mais um neto, tu dizes adeus, avô.
E este é o meu adeus para ti.
Depois de todos estes anos contigo assim, eu sabia que isto ia acontecer um dia... O meu maior medo era ter-me esquecido de como tu eras, antes. Mas eu lembro-me. E eu adoro-te tal como sempre adorei.
E vou lembrar-me, sempre, de como tu sempre foste: de toda a força que tu sempre tiveste. Foste forte até ao fim. Agora, somos nós que temos de ser fortes por ti.

Adeus avô. Vou sentir a tua falta.

domingo, 1 de março de 2015

dark days

Existem dias que nasceram para ser cinzentos.
Afinal de contas, qual é o momento concreto que marca o início de um novo dia? São as doze badaladas, o nascer do sol ou o momento em que acordamos? Mas será que o momento em que acordamos é aquele em que abrimos os olhos de manhã após uma noite de sono ou o momento em que passamos a observar a vida com olhos de ver?
Fotografia: Mara Alves (2015)




E a morte?
No que consiste a morte afinal? Será o "estar vivo por dentro" ou englobará estar plenamente vivo?
Sinceramente? Não me parece que respirar seja suficiente para viver.
"Viver" é conseguir fazer as pequenas coisas do dia-a-dia autonomamente, conseguir brincar, correr e saltar enquanto criança, e conseguir ir ao café, jogar às cartas com os amigos e fazer tricot com as vizinhas quando mais velho.
Para se viver verdadeiramente é necessário que se consigam retirar os pequenos prazeres do dia, metê-los numa caixinha, remexer neles e repeti-los ou relembrá-los quando nos apetecer.

As caixas guardam tantas coisas...
Eu, por exemplo, sou cem por cento apologista das caixas de recordações. Não há nada mais gratificante do que saber que - quando nos sentimos nostálgicos - temos um sítio onde ir "recordar recordações".
"Aquele pacote de açúcar que utilizei quando conheci a minha melhor amiga.
"Aquela caneta que eu utilizava em todos os testes porque acreditava que me traria sorte.
"Aquela carta...", "Aquela flor..."
E cada objeto, cada símbolo, cada "coisa" tem um significado e remete-nos para uma memória, remete-nos para um local, para uma data, para uma pessoa.

Por isso é que vos apresento aqui o meu "Faseamentos". Porque representa momentos que de alguma forma me marcam. Representa memórias mesmo que abstratas. Apresenta-me a mim.